Sim, choremos por todos os nossos pecados passados, por nossas misérias presentes, pela incerteza de alcançar a nossa eterna salvação, pelo abuso das graças, pelo pouco progresso que fazemos na virtude.
Deus visita-nos todos os dias com muitas luzes, com inspirações da sua graça, com santos ensinamentos, boas leituras, santos exemplos, com os bens e os males que nos envia: aqueles, para fazer-nos experimentar sua bondade; estes, para nos lembrar de sua justiça; e é motivo de lágrimas não perceber tais graças e torná-las inúteis.
Como somos dignas de compaixão! Que infelicidade ignorarmos tão frequentemente as visitas do Senhor! Choremos por nós mesmas, como Jesus chorou sobre Jerusalém, e convertamo-nos de uma vez. O que Ele visa ao nos mostrar nossas misérias é levar-nos à prática da humildade e da penitência, à transformação completa da nossa vida; e seria muito triste, se não usufruíssemos dessa visita do Senhor.
Choremos, pois, sobre nossa miséria; e nossas lágrimas sejam sempre acompanhadas do, firme propósito de mudar gradativamente de vida, praticando humildade e confiando na misericórdia divina.
Vocês não percebem que, apesar da ajuda de Deus, somos ainda a fraqueza personificada? Não é, talvez, verdade que, embora tenhamos recebido tantas graças, caímos muitas vezes e nossa vida está cheia de fraquezas deploráveis? Nós nos assemelhamos a um paralítico que só consegue movimentar-se com o auxílio de mão amiga; e acontece, às vezes, que mesmo tendo essa mão à nossa disposição, não nos deixamos conduzir por ela. As mínimas tentações nos abatem; uma imaginação, um pensamento, um olhar, um mau exemplo, uma crítica, derruba-nos; a mais leve paixão arrasta-nos ao pecado; a mínima dificuldade nos detém no caminho da virtude. Como somos fracos! Na oração, poderíamos obter a graça poderosa de superar nossas fraquezas, mas esta é uma das nossas maiores misérias: rezamos pouco, rezamos tão mal! Que fazer, portanto, à vista da nossa impotência, senão humilhar-nos diante de Deus, desconfiar de nós mesmas e reconhecer-nos incapazes de todo o bem, se confiarmos somente em nossas forças; e capazes de todo o mal, se a graça de Deus não nos ajudar a vigiar nossos sentidos, nosso espírito e nosso coração.
Sim, fujamos dos perigos e coloquemos em Deus todas as nossas esperanças, pois Ele somente é nossa força. Supliquemos-Lhe, com toda a efusão de nossa alma, tenha piedade das nossas misérias e delas nos cure totalmente. Deixem que os outros confiem nos recursos humanos; vocês, porém, procurem colocar sempre sua ilimitada e filial confiança só em Deus! De todo o coração, as abençoa maternalmente.
Sua afma. Madre